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o mundo gira ao avesso e ninguém percebe. o dia fez-se noite há tempos, o homem não se sustenta sobre suas quatro patas. animais racionais são os piores, têm a razão das atrocidades que podem cometer. a criança viveu uma vida inteira em uma semana - não suportamos a soberba de sua inocência e a matamos. lucas era seu nome. (mais um) enviado de deus com a missão de fazer os homens encararem sua loucura, de lhes implorar que parem de canibalismos. pobre lucas, nós não compreenderemos sua mensagem. vamos crucificar seus pais, garoto. nilson e any devem sangrar até morrer; vamos empalá-los, e que eles morram bem devagar. vingados, satisfeitos, voltaremos cada um ao seu próprio ânus. até que venham outros lucas. desculpe, cara. não podemos nos perguntar o porquê das coisas porque temos tanto medo, o mundo anda muito violento! não há mais salvação, lucas, nem precisava ter-se dado ao trabalho de vir aqui tentar nos ensinar alguma coisa. nós só sabemos colher. as sementes, que se plantem sozinhas. sim, sabemos onde isso vai dar. acaba-se a terra, colhemos cimento - no final, haverá apenas carne putrefata, mesmo, fazer o quê. fazer o quê, lucas?

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Publicado em 13 de julho de 2005 às 11:19 por adri

Tanto amor

Composição: Ricardo Breim e Luiz Tatit

Foi tanto amor
E começou pulsando em mim
Um dia não, um dia sim
E em pouco tempo, toda hora era hora
E os segundos, um por um
Eram pra nós
A nossa vez
Eternidade que jamais satisfez

Foi tanto amor
Foi tanto amor que transbordou
Deixou a casa e se espalhou
Tomou as ruas e atraiu todos olhares
E os ouvidos, um por um
Mostrando assim
A hora e a vez
Intensidade sem qualquer sensatez

Quem nunca viu amor ao vivo veio ver
Quem tinha visto não sabia o que dizer
Quanto mais via mais queria renascer
Só por amor nada mais só por amor
Quem não amava há muito tempo se empolgou
Quem tinha muito o que fazer não trabalhou
Toda São Paulo que não pára então parou
Só por amor nada mais só por amor

Foi tanto amor
E no entanto nem parecia
Em poucos dias, para nós
Da paz ao caos
Era um segundo só
Era apostar
Na nossa vez
No risco, no cio, na embriaguez

Foi tanto amor
E foi tanto que nem cabia
E noite e dia, para nós
Do lar ao bar
Era um segundo só
Mas mesmo assim
Quanta avidez!
Nos gestos, nas cenas que a gente fez

E era um tal de ver pra crer
De olhar pra nós e emudecer
De achar que isso é que é viver
E de sentir enfim o que é o prazer
Até pra quem tudo é pornô
Naquele instante se encontrou
Toda cidade se integrou
E aplaudiu o amor que transbordou


é a música que eu dedico a você (apesar do clima angustiado que ela tem), hoje. porque eu a ouvia e pensava imagina se cabe um amor assim no mundo! - e não cabe mesmo. mas descobri que é possível vivê-lo (um amor exatamente esse da música) mesmo assim. feliz aniversário.

Publicado em 13 de julho de 2005 às 09:51 por adri

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