eu o amo cheia de dedos, como se deve amar alguém que não se quer machucar de forma alguma. como se deve preservar o verdadeiro amigo, eu o abandono por aí no mundo, sem enviar nem receber notícia. sem um telefonema sequer por milênios. e não percebo, dada a sua presença no meu cotidiano. ele comenta meus atos mais corriqueiros, eu sei - e ouço. ele me olha com a cumplicidade impossível que construímos quando eu faço uma traquinagem qualquer, quando eu gosto de cometer pecados - e vice-versa. e nós rimos. tudo isso sem uma só palavra, ele naquele universo que é outra cidade, eu neste meu - e nós em uma londrina de faz-de-conta, eternamente no calçadão da faculdade. nas noites de filmes, no vinho nas praças, na angústia que nunca passou.
ele fez aniversário semana passada, e eu sequer telefonei. falta minha. devo presentes, e devo principalmente um sinal, pequeno que seja, de afeto. devo muito da minha vida e do que sou. devo desculpas por minhas faltas. devo tanta coisa a ele, e vou guardando tudo, junto ao orgulho por ele ser tão ingenuamente bom e escrever tão talentosamente bem e ainda por cima ser meu amigo. um dia ainda pago, de alguma forma. por enquanto, vou apenas gastando-me nele - e o perpetuando em mim.
ele é único e insubstituível, embora neste texto ele sejam dois. (contradição que vai chateá-lo um pouco, mas eu sei que acabará aceitando. porque entre os quatro fantásticos o amor está tão consolidado que não há outro jeito senão aceitarmos o que somos e pronto.)
Publicado em 20 de fevereiro de 2006 às 12:39 por adri
amor como nunca deixei-de,