o garoto despertava nele um desejo de crueldade. Porque era muito pequeno, indefeso e triste, mesmo sendo criança. E ele mesmo nada mais era que uma criança triste, indefesa, que se descobria medíocre. Por isso o incômodo.
uma tarde, chamou-o para brincar. Carrinho. Jogou o brinquedo longe, vamos apostar corrida. Gostou. Assim, de leveza, passaram a tarde.
Assim de repente notou as roupas do menininho molhadas de suor, a meia-luz do final da tarde e o pegou ali mesmo, dominado por um impulso cruel que na hora chamava-se desejo. Desejo, andrógino e nauseabundo - nauseabundo.
Ali, mesmo. Na rua. Não teve tempo de terminar: foi linchado - não sem antes ser penetrado de todas as maneiras e formas possíveis por populares ensandecidos e seus objetos.
Publicado em 09 de fevereiro de 2006 às 22:59 por adri